terça-feira, 27 de outubro de 2009

Que consumidor acham que somos?

Hoje em dia, basta sentar em frente a TV para se sentir afrontado com tanta bobagem. Eu praticamente desisti de ver canais abertos, são programas que desafiam a nossa inteligência e parecem nos chamar de idiotas. Mas não só apenas programas, eu particularmente acho que algumas propagandas não mereciam ocupar o espaço em que são veiculadas.

Sinto minha condição de consumidor ser subestimada, pois fico imaginando se os criadores de tais propagandas realmente acham que podem estimular o meu consumo destes produtos. É claro que em muitos casos eu não sou o público-alvo, portanto, o fato da comunicação não ser eficiente para mim, se justifica em termos. Digo em termos, porque algumas são tão obviamente estúpidas ou se centram em elementos tão frágeis que não vejo como podem despertar o interesse até mesmo do público a que se destinam.

Às vezes penso, será que aquela velha frase “falem mal, mas falem de mim” pode mover o conceito de comunicação de algumas empresas? Pois, será que determinadas empresas apostam em propagandas imbecis para serem lembradas e ter seus produtos consumidos? Eu resisto a essa idéia. O que realmente me vem à mente sempre que vejo algo assim, é “Quem foi que aprovou esta campanha????”, porque entendo que quem cria a propaganda está no seu papel, criadores são artistas e muitas vezes deliram e propõem soluções ousadas, apesar de que nem sempre eficientes, mas como o próprio nome diz, são criadores. Agora, definitivamente, acho imperdoável o Cliente que solicitou a propaganda, deixar passar algo desse tipo e aprovar um anúncio como alguns que vejo por aí. A responsabilidade é dele, é ele que conhece o público, a marca e o que precisa ser transmitido.

Quem não se lembra da propaganda daquela cerveja que tinha aquele caranguejo falando nã-nã-nã-nã e rebolando? Muitas tentativas para fazer pegar uma moda, que não emplacou, e que idéia quer nos passar um caranguejo falando nã-nã-nã-nã? Ou então das propagandas de um desodorante como aquela do suor saindo como se fosse água, uma profusão de conceitos, imagens, e loucuras, que para mim além de não fazer nenhum sentido, me faz achar a propaganda repugnante, é demais. E atualmente vi uma de um novo produto, um suco com gás, que fiquei decepcionada com a inutilidade e não consegui entender qual a emoção, experiência que a nova bebida quer proporcionar. E quem se lembrar de mais (o que não será difícil) que se faça presente.

O que mais me surpreende é perder a oportunidade de falar algo produtivo ao consumidor, ao invés de passar uma mensagem inteligente, com foco, conceito, que agregue valor e desperte verdadeiramente o desejo no consumidor. Ao invés disso, jogam-se alguns milhares de reais no lixo gastos na produção da propaganda e na veiculação em horário nobre e o pior, abusam de nossa capacidade para aturar intervalos assim. É pedir demais um pouco mais de consideração como consumidor? Ainda bem que propagandas boas e inteligentes aparecem para compensar.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Nada é mais marketeiro do que o futuro

Pois é, decidi começar por um assunto que atinge todo mundo. Quem de nós não se enquadra em uma das situações: viver pensando no passado, viver pensando no futuro, ou os mais sortudos, viver o presente. Eu sou da turma dos futurólogos*. Sim, porque quem é desta banda teima em tentar advinhar o futuro. E é claro, sofre demais com isso. Eu por exemplo, já visualizei meus filhos com mais de 20 anos de idade...e eles não tem nem 5!

Mas, quem mais ganha com isso são os produtos e serviços que se utilizam desta projeção para fomentar o desejo de consumo. E quais são eles? Quase todos. De carros, que fazem você se imaginar no futuro com um carrão, bem sucessido, a pacotes de viagens, que fazem você já se ver nas suas sonhadas férias, até mesmo um serviço como lavanderia, que a gente já começa a cobiçar quando ainda está no meio de uma viagem e começa a imaginar toda a roupa prá lavar quando chegar.

É difícil escapar a algumas tentações, como uma roupa nova para aquele evento que vai acontecer daqui a 1 semana, ou talvez 1 mês. Viver no futuro é uma característica de muitos, e sempre haverão outros, que vão manter esta indústria do consumo. Não sei qual é o segredo, mas estou buscando um equlíbrio, entre o futuro e o presente, pensar menos, sentir mais e agir mais também. Talvez assim, a gente consiga controlar um pouco destes impulsos.

Agora, se você não está desse lado, mas está no passado, cuidado também, não é a preferência do mercado, mas também há produtos e serviços que podem te fisgar por aí: um iPod, um CD, uma máquina de fotografar...nada é perfeito, nem ninguém. Ainda bem.

* O trabalho de um futurólogo não é indicar o que vai acontecer, mas sim o que poderá acontecer. Em futurologia os cenários e eventos são, ou não, definidos como: -possíveis, -prováveis, -desejáveis.