Recentemente percebi um fato que vai na contramão do que acontece no contexto de marcas hoje em dia.
É brilhante como o Grupo Pão de Açúcar está construindo duas marcas próprias de forma que elas se posicionem completamente diferente do que vemos por aí a respeito de marcas próprias.
Estou falando de Taeq e de Qualitá.
Sempre que pensamos em marcas próprias, principalmente relacionadas ao varejo, às redes de supermercados, nos vem na cabeça a imagem de um produto mais barato, obviamente, mas também com uma qualidade inferior a de produtos “de marca”. É claro, que muitas vezes a experiência de uso pode se demonstrar diferente e se traduzir numa experiência de marca, num sentido bem restrito, mas mais agradável. Entretanto, o que contará e influenciará na escolha numa primeira compra é a percepção que se tem de uma marca própria. E ela não é muito boa.
E tanto é assim, que muitas redes nem se deram ao trabalho de criar um nome para a sua marca própria, elas simplesmente levam o nome da rede. É claro, que o que se poderia esperar de percepção de marca, seria algo muito próximo disso.
Mas não é isso o que aconteceu com Taeq ou com Qualitá. O primeiro caso está nitidamente se posicionando como uma marca de qualidade e mais do que isso, com produtos diferenciados e dirigidos para um público mais selecionado e, é claro, por isso são mais caros. E está se posicionando muito bem. A linha estendida de produtos segue a mesma proposta de valor dos produtos alimentícios e está relacionada à saúde, ao bem estar, a uma alimentação e hábitos saudáveis. Muito diferente do que conhecíamos como marca própria. A marca Qualitá segue um caminho parecido, não se posicionando na linha Premium, mas sim, como uma alternativa de qualidade às outras marcas, não apenas brigando por preço, mas apresentando produtos que possuem uma marca que traz qualidade e alia os benefícios que uma grande rede pode trazer no que diz respeito a custos mais baixos e, consequentemente preços mais baixos, mas também, nem tanto assim, pois muitos produtos se posicionam numa linha intermediária.
É uma situação interessante. Pode ser que talvez se configure como uma tendência no varejo, criando um novo nicho de marcas próprias. Ou talvez, o Grupo Pão de Açúcar seja o único a se arriscar desta forma e investir neste segmento. Mas, salta aos olhos. A construção coerente da marca, o crescimento, o aumento da linha de produtos de forma coesa. Eu bato palmas.